Segundo a Fundação Getúlio Vargas, em estudo revelado no último mês de julho, as mulheres negras no Brasil recebem salários em média 48% menor do que os homens brancos nos mesmos cargos do mercado de trabalho. As mulheres periféricas e negras também são as principais vítimas da violência, as que mais sofrem com as carências nas áreas da saúde, da assistência social e no transporte público. 

Para além da condição feminina, que já é um grande desafio em um país com forte desigualdade de gênero como o Brasil, muitas outras opressões estão atreladas a essas mulheres em seu cotidiano.

Esse foi o principal ponto da fala da secretária nacional de Mulheres do PCdoB, Daniele Costa, do seminário que promoveu o lançamento da “Caravana Mulheres pelo Brasil – Por um país com equidade e mais mulheres na política”, realizado pelo partido neste sábado (16) em São Paulo. 

A dirigente abriu as falas da mesa de debates “Feminismo emancipacionista, interseccionalidade e as políticas públicas para mulheres”, que contou com público presencial de diversos estados brasileiros, e também foi transmitido pela internet.  

Daniele Costa lembrou que, ao falar da questão das mulheres, o PCdoB está falando de toda a sociedade. “Diversas categorias, ao se atrelarem às suas condições, fomentam esse sistema de opressões que vivemos. O capitalismo não valoriza a diversidade, ele se aproveita dessa diversidade para hierarquizar e racializar a sociedade, porque ele precisa de algumas categorias se submeterem a um sistema de precarização das relações”, pontuou.

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A representante do Ministério das Mulheres, Ana Rocha, corroborou com essa opinião e lembrou que as políticas públicas no governo Lula estão sendo formuladas a partir da lógica da transversalidade: “Essa é uma marca, o Ministério das Mulheres, ter várias políticas intersetoriais, que também chegam a outros ministérios, porque um apenas não dá conta de enfrentar todas as demandas que as mulheres e o povo tem”.

No último período, o PCdoB tem intensificado a sua ação junto às populações periféricas, com atividades de debate, formação e mobilização social. A vereadora do partido em Recife, a escritora Cida Pedrosa, falou sobre esse desafio: “Quando a gente vai para as comunidades, é sempre um desafio muito grande falar de interseccionalidade. E precisamos criar a consciência de que as opressões estão todas interligadas e que existe uma opressão maior que atinge a todas e todos nós que é o capitalismo. Não é simples fazer com que as pessoas entendem isso”, destacou.

A mesa ainda teve a contribuição da presidente do PCdoB de Curitiba, Alzimara Bacellar, que saudou as participantes lembrando da responsabilidade das comunistas organizadas neste momento histórico do Brasil. “Nós, as mulheres do PCdoB, tivemos um papel muito importante para o processo que levou à eleição do presidente Lula. E nós estamos compondo esse governo com a nossa presidenta nacional do partido, Luciana Santos, como ministra. Portanto, a nossa responsabilidade como PCdoB só aumenta”, avaliou.

O seminário promoveu o lançamento da “Caravana Mulheres pelo Brasil – Por um país com equidade e mais mulheres na política”, que percorrerá sete estados do país para debater a ampliação da presença feminina nos espaços de poder.