Lideranças políticas e parlamentares do PCdoB, PT e PV se reuniram, nesta quarta-feira (14), em Porto Alegre, para debater a constituição local e o fortalecimento da Federação Brasil da Esperança, formada pelos três partido com vistas à construção de uma tática eleitoral e candidatura consensual à prefeitura em 2024, apoiada por uma frente ampla e que reflita os anseios do povo. 

Porto Alegre vem sofrendo com o desmonte dos serviços públicos e as privatizações, que levaram a uma sensível piora na saúde, na educação — que já foi referência internacional —, no transporte e na infraestrutura urbana, além da criminalização dos movimentos sociais que se opõem ao sucateamento da cidade.

O mandato de Sebastião Melo (MDB), aliado de Jair Bolsonaro, aprofundou esses problemas, jogando a cidade numa crise que prejudica, sobretudo, a população das periferias e socialmente mais vulnerável. 

Apesar da hegemonia do conservadorismo político na capital gaúcha nesses últimos oito anos, o projeto em vigor vem demonstrando desgastes, o que favorece opções do campo popular e democrático. Além disso, as mais recentes eleições mostraram a viabilidade de candidaturas à esquerda. 

Em 2020, Manuela d’Ávila (PCdoB) foi ao segundo turno com Sebastião Melo e teve mais de 45% dos votos e os partidos de esquerda elegeram dez vereadoras e vereadores, entre os quais Daiana Santos e Bruna Rodrigues (PCdoB), Karen Santos e Matheus Gomes (PSol) e Laura Sito (PT), grupo que teve votação expressiva e formou a primeira bancada negra da capital gaúcha. 

Dois anos depois, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno na capital gaúcha, com 53% contra 46% dos votos. Edegar Pretto (PT), candidato a governador — que não foi ao segundo turno por uma diferença de 2,4 mil votos em relação a Eduardo Leite (PSDB) — quase empatou com o tucano na cidade, ficando com 32,26%, contra 32,85%. 

Além disso, foram eleitos deputados e deputadas do campo progressista, entre eles quatro daquela bancada negra municipal: Daiana Santos para federal e Bruna Rodrigues, Laura Sito e Matheus Gomes para estadual, entre outros representantes destacados deste campo. Soma-se a isso a performance positiva do primeiro ano do terceiro mandato de Lula, que vem conseguindo reduzir o desemprego, a inflação e melhorar o poder de compra da população, entre outros avanços. 

Diálogo com o povo 

O cenário atual, portanto, parece indicar que o espírito combativo e revolucionário que levou Porto Alegre a ser a cidade do Fórum Social Mundial ainda existe e precisa, apenas, ser reavivado. 

Com esse objetivo, o PCdoB porto-alegrense tem defendido a construção de uma candidatura que unifique a esquerda em torno de um núcleo forte deste campo e que, ao mesmo tempo, seja capaz de atrair outras forças políticas democráticas e refletir o que deseja a população. Para isso, propõe a realização de “assembleias populares” ou “congressos do povo”, cujo objetivo é ouvir e dialogar com a população dos mais variados territórios e amplos setores sociais.

“Temos muitas lideranças fortes e importantes para essa disputa — como Manuela, Daiana, Bruna, Giovani Culau e o Mandato Coletivo, Biga Pereira —, mas neste momento, não estamos buscando um nome. Queremos, primeiro, dialogar no âmbito da Federação, depois construir esse debate junto à sociedade para lançarmos uma candidatura que seja, de fato, uma construção coletiva, com aderência e inserção nas comunidades, nas vilas, enfim, que represente o pulsar de nossas trabalhadoras e trabalhadores, mulheres e homens, negras e negros, população LGBTQIA+ e tantos outros segmentos sociais que lutam por seus direitos e políticas públicas de qualidade”, explicou Silvana Conti, presidenta do PCdoB-Porto Alegre. 

A vereadora Abigail Pereira, a Biga, vice-presidenta do partido na capital, avalia que “é preciso criar uma agenda comum aos partidos da federação para, em unidade, abrirmos caminho para essa escuta da população”. Ela destacou que sem uma ampla aliança, não será possível vencer, ainda que haja desgastes no projeto que vem comandando a cidade. 

Da mesma forma, o também vereador e vice-presidente do PCdoB na capital gaúcha, Giovani Culau, ressaltou a importância de fortalecer o campo de esquerda e democrático, mostrando que o projeto defendido pela federação é o que vai, de fato, ao encontro do que a população espera do poder público. 

No dia 21 de dezembro, uma nova reunião entre os partidos definirá os próximos passos das ações da Federação.

Estiveram presentes neste encontro, além de Silvana, Biga, Giovani e Fabiane Pavani, do PCdoB, a deputada estadual Laura Sito, presidenta do PT-PoA, Júlio Quadros, Júlia Klassmann e Erick Kayser, do PT; Wilson Godoi, Cleber Giovani, Marivaine Barbosa e Guaracy Gonçalves, do PV.