No último sábado (11), a 21ª Conferência Estadual do PCdoB de São Paulo reuniu mais de 330 delegados de todas as regiões do Estado. Os representantes foram eleitos nas fases municipais da conferência partidária e se encontraram no Palácio do Trabalhador, sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, localizado no bairro Liberdade, na capital paulista. O novo Comitê Estadual foi eleito, e o professor universitário e jornalista Rovilson Britto foi reconduzido à presidência.

Após a execução do Hino Nacional, os delegados assistiram – em vídeo – às saudações da presidente nacional do PCdoB e ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, do deputado federal Orlando Silva e da deputada estadual Leci Brandão.

“Que a gente saia com direções fortalecidas para que o PCdoB possa derrotar a extrema-direita, crescer eleitoralmente e ajudar a reconstruir o Brasil”, desejou Luciana. “O Partido precisa estar bem armado política e ideologicamente, se preparar para a disputa às eleições e fortalecer o movimento social e popular, na luta por direitos e pelo Brasil dos nossos sonhos”, enfatizou. Leci Brandão conclamou: “Vamos juntos fazer o PCdoB mais forte!”.

“Nossa conferência se dá após a vitória épica em 2022, em que temos três grandes desafios: lutar pelo êxito do Governo Lula na consecução do seu programa de reconstrução do Brasil, revigorar o PCdoB e crescer e se fortalecer para as eleições do ano que vem”, afirmou o presidente Rovilson Britto, que recapitulou a ação partidária nos últimos dois anos.

Os vice-presidentes nacionais, o médico Walter Sorrentino e o jornalista Carlos Lopes também se dirigiram ao público. Sorrentino versou sobre a situação internacional, pela paz e independência palestina, demonstrando “indignação ao genocídio contra o povo palestino, contra o qual Israel promove massacre e crimes de guerra, como apoio carnal dos EUA. Não é uma guerra contra o Hamas, é guerra contra o povo. Não é guerra por democracia, é guerra de um governo fascistizante e de extrema direita”.

Após destacar a importância da conferência do PCdoB-SP, Lopes refletiu sobre o início da falência do modelo neoliberal nas economias do mundo, a começar pela brasileira, tendo em vista os diversos conflitos no Mundo (em destaque, a Ucrânia e a Palestina). “O final de uma época é sempre uma tragédia, mas anuncia novos tempos. Penso que o mundo caminha a uma realidade diferente da subordinação ao imperialismo”, disse. Ele também afirmou que o processo de integração política dos camaradas do PPL, incorporado ao PCdoB, embora avançado, ainda não terminou.

Dezenas de comunistas se sucederam, na tribuna, para tratar das questões ideológicas e práticas dos nossos dias, em que o PCdoB trabalha pelo sucesso do governo Lula e o aprofundamento de sua relação com o povo brasileiro, convocado a revigorar o Partido, vencer a reação no pleito do próximo ano e integrar a luta pela soberania nacional.

“Ainda sob ameaça, a luta em defesa da democracia é central e deve estar nas mãos dos trabalhadores, o que é fundamental diante da relevância da questão nacional e no combate ao imperialismo”, enfatizou Rovilson. Para tal, afirmou, não basta apenas acertar no diagnóstico da política, é necessário construir força material para transformar a realidade. “Afinal, o fundador da nossa teoria revolucionária, Karl Marx, nos ensinou que não é suficiente interpretar o mundo, é preciso transformá-lo”.

Ao término de um sábado produtivo, a resolução política foi aprovada, e a nova direção estadual do PCdoB foi eleita, resultando na reeleição de Rovilson Britto para a presidência do partido em São Paulo por mais dois anos. Durante os últimos meses, ao longo do processo da conferência, o partido reuniu cerca de 5.250 pessoas.

Revigorar de forma consistente

Em sua síntese, Rovilson exaltou o “alto grau de coesão política e ideológica” da 21ª Conferência Estadual e alertou que o revigoramento partidário não pode ser só um lema: deve ser desdobrado em ações concretas para renovar as fileiras sem perder a consistência política e ideológica. “Nós precisamos crescer, mas com o nosso DNA e o nosso viés. Defendemos a frente ampla e também a unidade da esquerda, mas temos nossa própria identidade e perspectiva comunista”.

Por isso, não adianta só atuar no movimento social e não construir o Partido, única força de vanguarda compromissada com a necessidade de ruptura do capitalismo. A quem acusa o PCdoB, o presidente estadual rebate: “nunca fomos um partido eleitoreiro, mas as eleições são o momento em que a população se volta ao debate sobre a política. Por isso, é momento propício para os comunistas chegarem com suas ideias”, observou, acrescentando que a presença dos comunistas na Federação Brasil da Esperança, com PT e PV, exige a concentração em candidaturas fortes em 2024. “Para fazer vereadores em todo o estado precisamos fazer muitos votos. Bater na porta de casa em casa, falar com cada militante, cada pessoa do povo”.

Raquel Guisoni – in memoriam

Na conferência paulista, a camarada Raquel Guisoni foi homenageada por sua vida a serviço da emancipação das mulheres e da construção do PCdoB. Ela foi dirigente partidária na cidade e no Estado de São Paulo. Em nota de pesar da Executiva Nacional do PCdoB, de 9 de novembro: 

“Professora de formação, sempre atuou no movimento sindical da área da Educação e foi uma das principais referências nacionais do partido nesta frente. Também contribuiu para a construção da Corrente Sindical Classista. Raquel era uma entusiasta da formação política e ideológica e contribuiu ativamente para a divulgação das ideias do partido. Depois de se aposentar, mudou-se para Santa Catarina onde continuou contribuindo com a militância política na União Brasileira de Mulheres. Militante aguerrida e de luta, era uma mulher sensível, generosa, solidária e que sempre se pautou pela atuação coletiva, pela valorização da militância de base, pela defesa do socialismo.

Presidenta da UBM na capital paulista, Claudia Rodrigues lembrou que Raquel era “uma referência de militância quando eu entrei no partido aqui em São Paulo, incentivava muito a juventude a estudar e brigar por suas causas, nos ajudava demais nos ‘perrengues’ da vida. E marcava presença em todas as manifestações de mulheres, estudava as questões feministas, fazia palestras, contribuía com a formação de novas lideranças”.

Lutas emancipacionista e antirracista

Britto também ressaltou que os comunistas precisam enfrentar o identitarismo como uma visão equivocada sobre a luta pela emancipação das mulheres e contra o racismo estrutural. “É dever de todos e todas comunistas ser antirracista e antimachista. Óbvio que quem sofre a opressão, sabe bem como é. Mas todos podem e devem estudar, entender, debater, falar sobre essas questões e se comprometer com essas lutas”, defendeu.

Nitidez política e erros do passado

Após a vitória em 2022, o Governo Lula recebeu o País em cenário devastador. Hoje, em razão do trabalho árduo da atual Administração Federal, a economia reage, com o desemprego diminuindo. Mas os juros continuam altos. “Não podemos depender apenas da habilidade do Lula, o Governo precisa de nitidez de projeto para poder mobilizar o povo, falta um núcleo para conduzir o Brasil com perspectiva estratégica. Não basta fazer apenas entregas econômicas, tem que haver disputa ideológica, e o povo brasileiro não pode ser deixado na arquibancada”, adverte o presidente do PCdoB-SP, que defende a participação efetiva da população e dos movimentos sociais.

Solidariedade à Palestina

“O PCdoB não concorda com ataques a civis israelenses e não admitimos o massacre do povo palestino. Defendemos o cessar-fogo imediato e a paz!”, afirmou Rovilson. Em solidariedade aos palestinos, Walter Sorrentino ressaltou o papel central do imperialismo americano. Ele deixou claro que o PCdoB rejeita o antissemitismo, defende a solução dos dois estados soberanos (Palestina e Israel). Houve um minuto de silêncio.

Oposição ao Governo Tarcísio

A disputa no Estado é acirrada e o abismo social evidente. “Aqui é o centro do proletariado, mas também da burguesia e do sistema financeiro no Brasil. São Paulo viveu há mais de 30 anos sob a tutela da direita e encerrou o ciclo do PSDB, à direita extrema. O Governo Tarcísio de Freitas é pior do que o dos tucanos porque é privatista, neoliberal e antidemocrática com a visão comportamental da extrema direita”, disse.

O PCdoB-SP saúda a luta contra o projeto de privatização da Sabesp, do Metrô e da CPTM e reafirmou sua oposição ao reacionário governo de Tarcísio de Freitas, ávido por entregar o patrimônio público a setores privados, com perspectivas de aumentar as tarifas e reduzir os serviços de água e transporte, a exemplo do que se viu no apagão elétrico dos últimos dias.

Frente Ampla

O papel de Lula em liderar a resistência democrática é fundamental, mas, sem a Frente Ampla, não seria possível derrotar Jair Bolsonaro no ano passado. “Com coragem, o PCdoB deu contribuição decisiva ao defender a frente ampla, enquanto as demais forças defendiam inicialmente frente de esquerda. E a Frente Ampla continua importante para a reconstrução do Brasil e derrotar a extrema direita, que está vivíssima. O PCdoB segue na linha de frente”, assegurou Rovilson.

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Confira a resolução da Conferência Estadual de São Paulo