O PCdoB do Rio Grande do Sul realizou sua Conferência Estadual neste domingo (3), em Porto Alegre. Os delegados presentes elegeram a nova direção, composta por 83 membros, dos quais 36 são mulheres. Antônio Augusto Medeiros foi reconduzido à presidência. 

Edison Puchalski foi eleito secretário de Organização e Elis Regina, a de Finanças. Em janeiro, o Comitê Estadual vai se reunir para finalizar a discussão sobre a nova composição, inclusive a vice-presidência. 

Ao longo do dia, os debates apontaram para a necessidade de fortalecer as bases e a coesão interna para que o partido possa enfrentar os desafios impostos pela atual conjuntura, visando tanto o projeto eleitoral de 2024 como o avanço do desenvolvimento nacional e da luta contra a extrema-direita. 

A conferência contou com as presenças do vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino; da deputada federal pelo RS, Daiana Santos; dos vereadores Giovani Culau e Biga Pereira, de Porto Alegre, e Werner Rempel, de Santa Maria, entre outros parlamentares e lideranças políticas e sociais do estado. 

Balanço

Foto: reprodução

Ao abrir a conferência, o presidente reeleito do PCdoB-RS, Antônio Augusto Medeiros, fez um balanço sobre os cenários políticos nacional e local e o trabalho e desempenho do partido nos últimos anos. A vitória de Lula para a presidência da República, disse, reposicionou as forças políticas democráticas para um novo projeto de desenvolvimento nacional com soberania e que permite novas condições para a construção do socialismo. 

Ele lembrou que nas eleições de 2022, as forças políticas e sociais progressistas do Rio Grande do Sul, entre as quais o PCdoB, conseguiram, apesar da força do bolsonarismo, derrotar a candidatura da extrema-direita, representada por Onyx Lorenzoni (PL), com a reeleição do governador Eduardo Leite (PSDB). Além disso, o PCdoB garantiu a eleição de duas jovens deputadas comunistas negras — Daiana Santos federal e Bruna Rodrigues estadual — e a manutenção de espaços importantes como os dois vereadores de Porto Alegre, Biga Pereira e Giovani Culau.

Antônio Augusto também fez um balanço da participação dos comunistas gaúchos em importantes debates nacionais, como as conferências da saúde e contra o racismo, e destacou o desafio de o partido no estado resgatar e fortalecer os espaços de debate com a militância e o centro de decisão política. 

No caso do processo de mobilização para a conferência estadual, relatou que foram realizadas 34 conferências municipais com a participação de mais de 1,4 mil militantes do estado, número 30% maior do que o processo anterior. “Esse tipo de debate desde a base é que faz do PCdoB um partido centenário”, destacou. 

Para as eleições de 2024, apontou como principais objetivos do partido manter os atuais mandatos de vereadores e ampliá-los, além de participar ativamente na eleição de prefeitos do campo progressista e democrático e isolar a extrema-direita.  

Neste sentido, defendeu a importância de Porto Alegre formar uma frente ampla para derrotar o populismo bolsonarista do prefeito Sebastião Melo (MDB). Ele concluiu afirmando que “não podemos ceder a formas de luta individuais impostas pelo neoliberalismo”.  

A deputada federal Daiana Santos afirmou que “enfrentamos o desafio da reconstrução e para isso acontecer de forma plena, precisamos nos posicionar como PCdoB, alinhar nosso projeto”.  

A parlamentar defendeu que os comunistas devem lutar e exigir “a ocupação de espaços que são nossos na política” e ampliar a interlocução com as frentes de mulheres, negros, LGBTQIA+, entre outras, para se aproximarem cada vez mais das necessidades reais do povo.

Conjuntura política 

Foto: Luiza Frasson

Ao iniciar sua fala, o vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, chamou atenção para o genocídio do povo palestino promovido por Israel sob o pretexto de revidar os ataques do Hamas no início de outubro. “Nenhuma das agressões e guerras que os palestinos sofreram foi tão dura e imoral como este massacre”, declarou.

Ao abordar o cenário nacional, Sorrentino classificou como “extraordinário” o primeiro ano do terceiro mandato de Lula, com avanços importantes nas áreas social, econômica e ambiental. Mas, alertou que “o cenário atual não permite voluntarismos”,  nem “desilusões precoces”, para que seja possível abrir caminho para a construção de um país cada vez mais soberano e igualitário.

Dentre os desafios colocados na atualidade, pontuou o dirigente, está a busca pela consolidação de um governo de união e reconstrução nacional em meio a uma sociedade fragmentada e de polarização ainda resiliente. “A união democrática, portanto, é fundamental para garantir os direitos que a Constituição assegura ao povo e para achar a pactuação possível”, explicou. 

O dirigente também elogiou a indicação, feita por Lula, do ministro Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF) que, em sua avaliação, parte da compreensão de que a luta democrática, nas várias instituições, é estratégica. 

No plano socioeconômico, apontou que o governo está retomando o crescimento, fez importantes entregas de serviços públicos e investimentos com melhorias concretas na vida do povo, maior geração de empregos, aumento na renda e redução da inflação, além de passos fundamentais como a reforma tributária e a taxação dos super-ricos. Sorrentino também destacou que Lula explora bem o cenário internacional, investindo na luta pela paz,  no multilateralismo, na defesa do meio ambiente e na transição energética e no combate às desigualdades.

Por outro lado, disse que embora o país disponha de poderosas alavancas para se desenvolver, também é acometido por limitações estruturais e históricas. “O Estado nacional não está voltado para o desenvolvimentismo, mas para o neoliberalismo. O país vive um capitalismo dependente, com uma burguesia agrária que não tem projeto, nem sentimento nacional e que impõe um processo de superexploração do trabalho”, analisou.

Sorrentino também discorreu sobre outras dificuldades que o país enfrenta no campo político, como a de governar e avançar com o Congresso mais conservador dos últimos 40 anos, o refluxo da luta dos movimentos sociais e a dificuldade de estabelecer diálogo com o segmento mais bolsonarista da população. 

Ele defendeu a formação de um núcleo político mais maduro com um projeto avançado mais definido em torno de Lula a fim de enfrentar os obstáculos atuais e garantir o êxito de seu governo. Neste sentido, apontou que o partido precisa ser capaz de fazer a disputa dos rumos do governo não apenas dentro do governo, mas também na sociedade.

A conferência continuou com intervenções dos delegados e terminou com a eleição da nova direção.