Uma plenária nacional com cerca de 800 dirigentes partidários de todos os estados brasileiros marcou a arrancada final do PCdoB para assegurar a eleição do ex-presidente Lula na disputa do segundo turno. A reunião ocorreu na noite de segunda-feira (17), de forma on line, e foi marcada pelo entusiasmo característico dos comunistas, bem como pelo sentimento de que ampliação da campanha e o reforço na mobilização são essenciais para a vitória contra Jair Bolsonaro.

A plenária teve início com uma intervenção de Walter Sorrentino, vice presidente do partido, que, ressaltando o papel de vanguarda do PCdoB, alinhou questões que considera centrais na disputa em curso. Sorrentino considera que é necessário a campanha seguir emitindo uma mensagem de amplitude, que destaque a necessidade de um consenso nacional em favor do Brasil, que incorporar os novos apoios à sua direção e acolha propostas de outras candidaturas. Ele destacou também a necessidade de reduzir, ou pelo não deixar aumentar, a abstenção. “É preciso mobilizar governadores e prefeitos para que assegurem transporte para os eleitores, reforçar as conclamações da justiça eleitoral para a necessidade de votar, além de denunciar e combater assédio de trabalhadores por patrões para que votem em Bolsonaro ou não comparecem às urnas em 30 de outubro”, afirmou o dirigente comunista. O vice-presidente do PCdoB considera que é preciso buscar o engajamento do eleitor de Lula para que ele também busque novos votos. Por fim, Sorrentino enfatizou o papel das ações de comunicação no sentido de ajudar ainda mais na ampliação da campanha, difundir as propostas de Lula e reforçar as denúncias contra Bolsonaro. Ele alertou ainda para o papel nefasto das fake news. “A guerra das fake news terá uma verdadeira derrama nas próximas duas semanas e estas precisam ser fortemente combatidas e denunciadas perante a justiça eleitoral”, enfatizou.


A presidenta Luciana Santos, ao se pronunciar, alertou que o resultado da eleição mais importante dos últimos 30 anos no Brasil ainda está por ser construído. “Nosso esforço, nosso empenho de militante devem estar destinados a construirmos nas redes e nas ruas esta vitória”, afirmou. Ela alertou que está em jogo o regime democrático no Brasil e por isso foi necessário organizar um amplo movimento para derrotar o projeto de Bolsonaro de poder. “É desta forma que esta frente ampla, ganha contornos, políticos e sociais de repudio ao projeto da extrema direita no Brasil”, enfatizou. Acrescentou também que “eleger Lula é eleger a democracia como regime político, é abrir caminhos para um processo de reconstrução nacional, envolvendo amplos setores da sociedade”.


Para a dirigente comunista, na reta final de campanha “é preciso falar dos problemas reais, da situação da economia, do desemprego, da inflação”. Ela alertou para os riscos de aumento da violência política, a disseminação de notícias falsas, chantagens contra eleitores, em especial os trabalhadores, e tentativas de encobrir os problemas reais do país. Luciana considera que é preciso atenção a tudo isso e que sejam tomadas as providências pertinentes. “De nossa parte nós devemos ter cuidados para não cair em provocações, mas também não nos intimidarmos”, afirmou.


Luciana Santos reafirmou o papel da militância comunista atuando nas ruas, argumentado, ajudando a ampliar comandos locais, agregando a novos aliados. “Pela importância do tema reforço o chamado para nos engajarmos ainda mais nesta luta que é em defesa de um Brasil democrático, desenvolvido e socialmente justo”.
A presidenta enfatizou que é preciso transmitir uma mensagem de esperança, de dias melhores para o povo. “Uma mensagem de vida, de luta de que o Brasil irá virar essa página. Esta vitória será construída por todos nós. Levantemos nossas bandeiras, colemos os adesivos e vamos falar com o povo. A vitória é nossa. Firme na luta”, concluiu.

A ex-deputada e vice-presidente do PCdoB Manuela d’Ávila também se pronunciou na reunião dando destaque para o trabalho nas redes sociais. De início, Manuela alertou que não se deve se deixar impactar pelas pesquisas e passar a semana aguardando os resultados. “É preciso estar nas redes e nas ruas, conversando com as pessoas, conquistando mais apoio para Lula. Isso é o que ajuda a definir a eleição”, disse ela. A dirigente nacional do PCdoB considera necessário reforçar o sistema difusão das propostas de Lula e também enfrentar o ataque bolsonarista, que deve aumentar seu sistema de disseminação de mentiras e desinformação. Ela alerta que a violência da campanha e dos apoiadores de Bolsonaro tende a aumentar.


Ao se pronunciar, o também vice-presidente nacional Carlos Lopes se declarou otimista com o fato de Bolsonaro, usando a máquina do governo despudoradamente, disseminando mentiras e desinformação e com uma base social expressiva, ainda enfrenta muitas dificuldades para derrotar Lula. Entretanto, Lopes destacou a necessidade de ampliação do apoio à Lula para derrotar o fascismo. “O Brasil, unido de forma ampla, vai derrotar Bolsonaro e sua horda fascista”, afirmou Lopes. O secretário nacional adjunto de Comunicação Inácio Carvalho ressaltou o papel da atuação ampla nas redes sociais e nas ruas, a necessidade de aumentar a rejeição de Bolsonaro, a denúncia e o combate às fake news e alertou para que não sejam compartilhadas, mesmo que em forma de denúncia, vídeos e fotos do atual presidente por que acaba ampliando sua mensagem. “Com uma atuação intensa nas redes e nas ruas, os comunistas ajudarão a garantir a vitória da esperança contra o atraso”, concluiu Carvalho.