Durante a reunião que aconteceu nos dias 8 e 9 de dezembro, o tema da estruturação partidária e dos desafios eleitorais foram objeto de uma intervenção especial da secretaria Nacional de Organização, Nádia Campeão, seguida de um informe do coordenador do grupo de trabalho eleitoral, Davidson Magalhães e também foi tema abordado na intervenção inicial da presidenta Luciana Santos.

Para a presidenta Luciana Santos “as conferências partidárias realizadas entre os meses de agosto e novembro são mais uma parte do processo de revigoramento do partido”. Ela ressaltou ainda a importância dos encontros partidários realizados ao longo do ano que reuniram a militância comunista para debater temas como o combate ao racismo, juventude, saúde e atuação no movimento sindical. A presidenta teve oportunidade de participar, de forma presencial ou virtual, de muitas conferências e dos encontros partidários. Luciana se reuniu com as direções do PCdoB de todos os estados em que esteve buscando entender os desafios do partido local e aprofundar o debate sobre a conjuntura local e as tarefas dos comunistas.

Um ano de ampla mobilização partidária

A secretária Nádia Campeão apresentou as principais ações do partido em 2023 tendo como perspectiva o revigoramento partidário, orientação aprovada no 15º Congresso e intensificada a partir do Encontro Nacional de Secretários de Organização, realizado em fevereiro deste ano. O encontro traçou diretrizes e orientações de impulsionamento da estruturação partidária, com foco nas organizações de base e aumento da ligação do partido com as lutas do povo.

Dentre as ações ressaltadas pela secretária de organização estão a readequação da sistemática financeira e orçamentária em razão da redução de recursos; dinamização das frentes de luta social (Encontro Nacional Sindical, Movimento +SUS, +Democracia, Congresso da UNE, Reunião Anual da SBPC, Cúpula da Amazônia, 

Foro de São Paulo, Seminário da ADJC e Congresso da Unegro) incremento e adequações da comunicação partidária; intensificação dos debates na esfera da propaganda e formação e realização da vitoriosa Conferência Nacional de Combate ao Racismo.

Para Nádia Campeão,estas atividades foram estreitamente combinadas com a intensificação da vida partidária, a partir de um maior engajamento das direções estaduais e municipais, como parte do esforço por mobilizar mais amplamente os militantes e filiados nas bases”.

Mereceu destaque da dirigente do PCdoB a realização do processo de Conferências Ordinárias cujo lançamento nacional virtual, em agosto, contou com a participação de mais de mil militantes. O processo de conferências mobilizou 39.907 militantes comunistas de todo o país, em 1228 assembleias de base, 876 conferências municipais e 26 conferências estaduais. Uma mobilização partidária 19% maior do que a realizada em 2021 para o 15º Congresso do PCdoB.

Alguns aspectos do processo de conferências foram ressaltados por Nádia Campeão. O primeiro foi a maior mobilização nos Estados e nas capitais, algumas com um crescimento de 35%. 

Seguindo a orientação nacional para que os comitês estaduais fossem compostos por no mínimo 40% de mulheres, 23 deles atingiram o objetivo, sendo que vários ultrapassaram o percentual de 45%, tendo o Amazonas chegado a 55%. Os que não atingiram a meta precisarão adequar suas composições para ampliar a presença feminina nas suas direções. Já as capitais, todas cumpriram o mínimo de 35%, sendo que Manaus e Natal alcançaram 60% de mulheres e Porto Alegre 50%.

Superar as dificuldades

Nádia Campeão avalia que “o processo das conferências foi positivo, demonstrou disposição do Partido em mobilizar nossas forças militantes e dirigentes em torno dos eixos propostos, ou seja, a orientação de lutar pelo êxito do governo Lula, preparar o Partido para a eleição de 2024 e debater e agir acerca do revigoramento partidário, numa atitude proativa ao longo de todo o ano”.

Porém, para que o PCdoB tenha um crescimento robusto, a dirigente comunista ressalta a necessidade de superar dificuldades que ainda permanecem. Nádia citou as seguintes carências: estados e cidades em que há baixa ou nenhuma participação institucional, pequena representação parlamentar federal, estadual e municipal, grandes dificuldades de ordem material que implicam em falta de sedes, de profissionalizações básicas e de investimento em comunicação e viagens para atividades partidárias.

Para a Secretária Nacional de Organização há também dificuldades em relação à pauta de discussões, na formulação sobre a conjuntura local e construção do projeto eleitoral. Há estados em que o partido avançou bastante neste aspecto, mas a maioria ainda tem muito a evoluir.

“Temos uma organização partidária diferenciada em relação à capacidade de intervenção e potencial de crescimento. Mas este é um processo dinâmico, não comporta simplificações nem subestimação. O partido é um todo, o Brasil é muito grande e com realidades regionais muito distintas. É preciso considerar as oportunidades eleitorais que abrem caminhos e perspectivas, perseverar na construção de um partido orgânico, com direção política e ideológica firme e que seja capaz de promover o crescimento partidário”, avalia Nádia Campeão.

Atuação permanente das bases partidárias

Até o 16º Congresso Nacional, que ocorrerá em 2025, os objetivos do revigoramento partidário permanecerão na agenda do PCdoB com as diretrizes readequadas ou novas e um plano de trabalho concreto abrangendo questões como comunicação, frentes de luta social e a estruturação do Partido (onde se integram as ações da organização, de finanças, de formação). O vértice principal será a disputa eleitoral de 2024. 

Crescer mais, se estruturar mais nas bases partidárias e aumentar sua influência social e ligação com o povo segue como foco do processo de revigoramento partidário. “As organizações de base que se reuniram nas conferências precisam ter vida ativa, ter pelo menos um coordenador, serem apoiadas e estimuladas permanentemente pelas direções. No processo eleitoral, todas as bases deverão se integrar e ser mobilizadas pelas candidaturas do partido”, enfatiza Nádia.

Por fim, a dirigente do PCdoB informou que, no próximo semestre, será lançada uma Campanha Nacional de Filiação para impulsionar o movimento de crescimento geral do Partido. Nádia anunciou ainda a realização de curso nacional de nível 3 (janeiro/2024), o encontro nacional de secretários de organização estadual e de capitais (22 a 24 de fevereiro, em São Paulo), o encontro de Partido e Juventude (março) e o Festival Vermelho (22 e 23 de março, Salvador) e a mobilização para a Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, que ocorrerá em junho, na capital do país.

O projeto eleitoral do PCdoB

A presidenta nacional do PCdoB destacou a importância do êxito do governo Lula também para o fortalecimento do PCdoB na medida em que cria um terreno fértil para a atuação dos comunistas. “O partido se fortalece com a luta política. Temos que nos preparar para a disputa eleitoral de 2024 que, na verdade, já iniciou e as nossas conferências deram uma contribuição importante neste sentido”. Luciana enfatizou que “o PCdoB participará das eleições através da Federação Brasil da Esperança e com uma política de frente ampla, em alianças que isolem o bolsonarismo”.

O coordenador do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) e ex-presidente do PCdoB da Bahia, Davidson Magalhães fez um balanço da preparação do partido para a disputa de 2024.  Ele considera que “a vitória de Lula instalou no país um quadro mais favorável para a atuação das forças populares e progressistas, com mais liberdade, retomada de programas sociais, reconstrução de políticas públicas, retomada do desenvolvimento econômico e social”. No entanto, Magalhães alerta que para o crescimento da direita no Congresso Nacional e que ela elegeu governadores em estados importantes, inclusive nos maiores, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.  Para ele, “a extrema direita continua forte nas redes sociais e mantém suas bases mobilizadas, visando as eleições municipais”. Estes e outros fatores, segundo o dirigente comunistas, serão decisivos na batalha eleitoral.

Pela primeira vez, a Federação Brasil da Esperança disputará uma eleição municipal e o PCdoB estará nela como o presidente da articulação política-eleitoral em todos os níveis, desde os municípios. Davidson Magalhães considera que a Federação ainda enfrenta grandes debilidades nos estados e prevalecem as articulações de cada um dos partidos que a integram. “A Federação ainda não se constituiu num polo de aglutinação política, nem mesmo eleitoral, e de mobilização social”, afirmou.

Para Davidson, o PCdoB ainda precisa construir um projeto eleitoral para 2024 que reverta a trajetória de perdas eleitorais nos últimos pleitos. Ele acredita que é preciso a retomada do crescimento eleitoral do Partido deverá priorizar a disputa nos grandes municípios.  

O coordenador do GTE do PCdoB disse que é “fundamental superar a dispersão política, e garantir um esforço concentrado da direção partidária, especialmente a articulação da nossa atuação política nos espaços institucionais e o projeto eleitoral 2024”. Por fim, ele enumerou quatro questões diretrizes que considera determinantes para o êxito da empreitada. São elas: contribuir para garantir maior protagonismo à Federação, garantir condições políticas e materiais para a pré-campanha, intensificar o movimento de atração de lideranças progressistas e de esquerda para a nossa chapa de vereadores e prefeito e fortalecer a unidade do partido em torno do projeto.