Entidades defendem a manutenção do nome de Luciana Santos no comando do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) numa eventual mini-reforma ministerial que o governo Lula possa fazer para assentar partidos que estão de fora da base do governo. Embora a própria ministra já tenha se manifestado sobre o assunto, dizendo que não foi informada sobre uma eventual saída, a grande imprensa continua especular sobre possível troca.

Enquanto isso, entidades da área da ciência e de desenvolvimento tecnológico veem com preocupação uma possível troca no MCTI e defendem a manutenção da engenheira e presidenta nacional do PCdoB, Luciana Santos, no comando da pasta. “Luciana é aberta ao diálogo e tem trabalhado em parceria com as entidades”, reforça o presidente da Adban, Celso Cunha.

Luciana Santos é a primeira mulher a assumir o comando do MCTI e “em quase sete meses, essa gestão reajustou as bolsas concedidas pelo CNPq, recompôs o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), reinstalou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), abriu concurso público para preencher centenas de vagas no MCTI e em unidades de pesquisa, lançou editais para promover a inclusão de jovens e mulheres na ciência, assinou acordos bilaterais relevantes, apoiou a reindustrialização, resgatou a indústria aeroespacial e deu suporte a micro e pequenas empresas”, aponta nota da organização Engenheiros pela Democracia.

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O ex-ministro da Educação e atual presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine Ribeiro, voltou a reforçar, em publicação no Poder 360 na última sexta-feira, que o risco principal é de uma possível nomeação política e que possa atrapalhar toda a cadeia da Ciência e Tecnologia. “O loteamento significa a entrega do ministério com a porteira fechada. Os partidos não querem só o posto de ministro. A verba do ministério é pequena e vão querer mexer na verba”, avaliou.

Para ele, o temor é que ocupe a pasta alguém sem critério técnico. “É bom que seja mantido o compromisso que o presidente Lula fez com o país, de valorização da saúde, da educação e da ciência. Isso não pode ser sacrificado para entregar para um partido”, enfatizou.

Da mesma forma, Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), expressou seu temor sobre a possibilidade de entrega do ministério a um partido com posicionamento anti-ciência ou negacionista. Acrescentou que está preocupada que alguns partidos que estão sendo cotados e que estão “ligados a teorias negacionistas e até terraplanismo. São situações que nos preocupam”, ressaltou.

A organização Engenharia pela Democracia (EngD) – que reúne estudantes, técnicos e técnicas, engenheiras e engenheiros, profissionais de áreas afins que atuam na Engenharia, mestres e doutores em Engenharia – afirmou em editorial publicado na última sexta-feira (28) que “a atual gestão à frente do MCTI, liderada pela engenheira Luciana Santos, tem a missão de contribuir, de modo decisivo, para a reconstrução do País. O mote “a ciência voltou” é válido não apenas pela superação do bolsonarismo e do negacionismo – mas também pelo protagonismo que o governo Lula tem dado à pasta”.

“É imperativo que esse caminho não seja interrompido. A equipe montada por Luciana está no caminho certo – o da indústria nacional (e não da reprimarização da economia), o do crescimento (e não da estagnação), o do desenvolvimento (e não do rentismo). Se o Brasil não é mais uma colônia, a quem, exatamente, interessa desestabilizar o MCTI? A ciência realmente voltou – e a jornada sob coordenação de Luciana Santos não pode ser interrompida!”, reforça o comunicado da organização.

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MCTI vive fase próspera na área

O presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento de Atividades Nucleares (Adban), Celso Cunha, disse que o ministério vive uma nova fase com a ministra. Ele lembra que Luciana, ainda em janeiro, anunciou investimentos para avançar na construção do Reator Multipropósito brasileiro, para pesquisa e produção de radiofármacos, com previsão de investimentos de US$ 500 milhões em 6 anos.

“Esse tipo de movimento não pode afetar o que está funcionando e avançando. A área de ciência e tecnologia no governo anterior já foi massacrada. Não tinha verba, não tinha nada. Com uma troca agora, quem sentar na cadeira vai precisar de pelo menos seis meses para tomar pé de tudo e ainda tem o risco de descontinuar o que vinha sendo feito”, afirmou.

Cunha reforçou que Luciana é aberta ao diálogo e tem trabalhado em parceria com as entidades. “A ciência passou por muita coisa nos últimos quatro anos. Tá na hora de dar uma calmaria para o setor. Não perder os investimentos que fizemos e retomar a produção científica. É preciso evitar um solavanco desses e dar um tempo para a ciência e tecnologia se recuperar”, acrescentou ele.

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Com informações do Poder 360